“The way I see things”: Uma conversa com Fernando Sanches.

 

Todos os sábados, às 13 hs ao vivo no Santa Demo 800 AM  um dos nossos quadros é o “Pacto da Semana”, no qual aprofundamos uma conversa sobre uma banda ou um músico.Resolvi então entrevistar o Fernando Sanches que, além de produtor musical e músico, trabalha no estúdio El Rocha em São Paulo com sua família, toca na O INIMIGO é responsável por uma das guitarras -, passou pelo Againe, Hateen, CPM 22, Van Damien, Small Talk e Dance of Days.

Na quinta-feira, liguei para o El Rocha e conversei um pouco com ele sobre o novo álbum da O Inimigo, o Againe, os shows, a cena, o underground, o mainstream… a conversa poderia ter durado uma tarde inteira e a transcrição aqui, umas dez páginas. Se vocês quiserem ouvir a entrevista (uma parte está transcrita aqui, outra parte está no áudio…foi uma hora de conversa), está no nosso podcast, programa Santa Demo número #3 . Começa lá pelas 20 e poucos minutos, AQUI (não reparem uns apitos no fundo, foi na gravação lá na Rádio Universidade,mas dá para ouvir tranquilamente).

”The way I see things”: Uma conversa com Fernando Sanches.

por Gabriela Cleveston Gelain.

E eu vou começar em vez de falar do CPM22, do Hateen, do O Inimigo… com uma banda um pouco mais antiga, que é o Againe. Eu vi aquela foto na internet com aquela formação versão 2012. Vocês estão pensando em voltar para uma reunião, algum um show ou não tem volta?

Sanches: Tem volta, na verdade a gente tá ensaiando, assim, a gente quer. Todo mundo é muito amigo ainda, esse ano tinha pessoas da banda morando fora do Brasil, o  Carlos (Dias) que é o vocalista mora em Florianópolis, mas a gente sempre manteve contato, já que ele vem direto (para São Paulo) fazer umas paradas de artes plásticas que ele faz, ele sempre foi responsável pelas coisas de arte da banda, dos discos e tudo. Aí foi assim, a gente conseguiu se organizar para tocar novamente junto e está super legal, já fizemos uns três ou quatro ensaios, e vai rolar uns shows sim… só estamos tentando achar a melhor maneira de fazer esses shows, mas a gente vai fazer uns shows sim, talvez até gravar umas músicas que não foram gravadas na época. Nada com ritmo muito acelerado, na verdade porque até um dos motivos da banda ter acabado foi isso, as pessoas tinham objetivos diferentes na banda, tinha gente que estava querendo deixar a banda um pouco mais profissional, um pouco mais séria e tinha gente que não estava muito afim de fazer isso e acabou dando um pouco de discórdia. Depois de sete anos que a gente ficou parado, acho que foi o momento certo de parar, porque talvez a gente ia acabar brigando e todo mundo é amigo até hoje. Acho que voltamos no momento certo! Tá todo mundo mais velho, mais tranquilo e afim de tocar, de uma maneira mais sossegada, mesmo. Estamos nos reunindo para fazer música e curtir o momento mesmo. Do mesmo jeito que a gente começou, que era tocar com os amigos, sabe?

Entendi.

E vocês não pensam em fazer uma turnê novamente, que nem fizeram com o Fun People aquela vez? Lembrei de um fato engraçado comentado em outra entrevista,sobre uma turnê divertida que o Againe teria feito com o Fun People…

Sanches: Ahh, sei. Na verdade, a gente fez duas turnês com o Fun People! As duas primeiras vezes que eles vieram para o Brasil, a gente foi meio que banda de apoio. E sempre aconteciam coisas bizarras… o esquema independente daquela época era muito mais complicado que hoje em dia. As coisas em termos de estrutura eram muito ruins… mas era divertido, a gente se divertia muito nesses shows, não foi nada doloroso,mas aconteciam coisas bizarras! O Nekro é um cara muito engraçado de trabalhar, ele tem muito uma linguagem dele, ele é um cara muito auto-suficiente, toca seilá, há vinte, vinte e cinco anos com as bandas dele e nunca parou. Ele é engraçado pra caramba! O cara não toma banho! Fica dez dias na van assim… mas foi ótimo! (risos)

Againe versão 2012.

Talvez o O Inimigo nunca queira fazer uma turnê com o Boom Boom Kid, então. (risos)

Sanches: Imagina! A gente é super amigo, na verdade ia ser ótimo se rolasse. Tanto que quando o Againe foi para a Argentina para tocar com  Fun People, foi outra realidade. Lá eles eram uma banda bem grande, bem profissional. Quando a gente chegou lá,a gente ficou até espantado, os shows foram shows grandes, com equipamento de som bom e tudo funcionando, tudo como eu acho que tem de ser, assim. O Nekro é super amigo nosso até hoje, todas as vezes que ele vem para o Brasil eu tento dar um jeito de encontrar ele pra seilá,dar um abraço, conversar um pouco, é sempre interessante. Quando eu fui para a Argentina, a última vez que eu estive lá, acabei não encontrando ele, agora eu vou com o Ratos de Porão daqui a umas duas semanas, e eu espero encontrar ele por lá, é sempre muito divertido. Ele é um cara muito fóda, eu admiro muito o trabalho dele.

Eu até ouvi falar que por estes tempos eles vêm tocar aqui, o Boom Boom Kid.

Sanches: Po, o cara que tá trazendo eles,podia chamar O Inimigo também!

Bá, podia mesmo!

Olha só, queria saber em quanto tempo vocês gravaram o álbum Imaginário Absoluto da O Inimigo e como vocês conseguiram o contato com o Stephen Egerton para mixar o álbum (Descendents/ALL)?

Sanches: Foi uma coisa bem rápida, porque como eu acabei agendando de entregar um material para o Stephen, o Stephen é meu amigo pessoal desde a turnê do ALL aqui em 2002, eu trabalhei com eles, e a gente sempre manteve contato porque ele sempre foi um cara muito interessado nesse mundo de gravação e estava sempre ativo,fazendo trabalhos que eu gostava muito então eu sempre pedia dicas, trocava informação. Quando ele veio para o Brasil em 2002 com o ALL ele veio aqui no meu estúdio, ajudou a gente a mexer num material do Hurtmold que eu estava fazendo na época… ele é um cara bem parceiro. A gente se fala bastante por e-mail, às vezes até por telefone, isso desde 2002. Eu tinha já este contato com ele, então quando a gente resolveu gravar… eu tinha uma viagem marcada para ver o Descendents nos Estados Unidos, acabou que eu falei: “Eu tenho que estar saindo daqui com este material dia tal e a gente tem uma semana para fazer tudo”. E foi gravado em uma semana. Até foi um tempo maior do que a gente achou que ia usar, como a gente queria um disco bem simples e bem orgânico, não tentamos criar uma coisa que a banda não é, a gente quis fazer algo bem espontâneo  e com o som que tiramos. Tanto que o disco tem vários errinhos pelo meio do caminho e tal mas isso são coisas que eu acho que os discos tem que ter, assim…hoje em dia tá tudo muito chato!  Tudo é muito perfeito. Você pega discos que são super bem produzidos em um mal sentido, na minha opinião.

Tu como produtor musical, pode afirmar isso, tem embasamento teórico para dizer isso, também.

Sanches: Também é um pouco do meu gosto pessoal, as bandas que eu escuto , as bandas que eu fui criado ouvindo, que é a minha influência,a minha escola, eram bandas que não tinham orçamentos milionários para fazer um disco, as coisas eram diferentes. Na época, você não tinha tecnologia para ficar consertando erros, era tudo muito verdadeiro, era a banda tocando aquilo, você ia no show era mais legal ainda, o disco era bom e o show era melhor ainda! Hoje em dia você tem muito problema de pegar um disco que é ótimo, é perfeito,a banda toca super bem, foi super bem gravado, aí você vai ver o show da banda… não é nada daquilo!

Poisé, queria te pedir isso! Estive presente no show de vocês da O Inimigo em SBC e eu percebi que vocês tocam ao vivo como se eu estivesse em casa, escutando o disco. Eu queria saber se existe uma preocupação e atenção de vocês tirarem o melhor som ao vivo. A atuação de vocês foi muito boa, me surpreendi bastante!

Sanches: Poxa,a gente fica feliz em ver um feedback destes,obrigado! Na verdade,a gente é sim, muito preocupado com essa coisa do show ter um som bacana, carregamos muito equipamento para fazer o show, o dinheiro que a gente consegue juntar de grana de vendagem de camisetas e discos acaba meio que sendo desviado para comprar equipamento pra banda, porque as coisas aqui no Brasil são muito precárias… então a gente tenta meio que driblar da nossa maneira. Não adianta só ficar reclamando, eu acho que o jeito é ir lá e mudar aquilo que não te agrada. Tem situações em que não dá para levar, por exemplo, os nossos amplificadores, as nossas baterias, por problemas de logística mesmo, não tem como carregar, colocar no avião, sai caro… e aí, paciência,a gente faz com aquilo que tem. Na medida do possível, a gente tenta arrastar todo o nosso equipamento pra poder ter um show legal, ter a nossa sonoridade mesmo, nos timbres e a coisa de se divertir,porque se tu faz um som muito ruim, acaba por não ser divertir no momento do show, acaba sendo um pesadelo. Muita gente que eu conheço acabou desistindo de ter banda porque “ah, o som é sempre ruim, não tem estrutura…então, seilá, vou trabalhar no banco.” A gente já opta por outra situação, se os lugares tem um equipamento ruim, vamos dar um jeito de levar o nosso. Compramos tudo agora. A banda tá até com monitor de voz, carregando, sabe? As pessoas às vezes acham que a gente é meio maluco! Mas tem funcionado, pelo menos todo o retorno que a gente está tendo de show da opinião das pessoas é que o show está muito bom. Tá valendo a pena, é super cansativo, dá um puta trabalho, a gente carrega peso pra caramba mas eu acho que é assim que funciona, não tem outra maneira e não é isso que vai fazer a gente parar ou desistir. Sempre tentamos fazer o melhor possível.

Eu vi que tu escreveu no twitter, até na época do show da O Inimigo este ano, em SBC: “Do it yourself: dá trabalho,mas vale a pena”.  Este “Faça-você-mesmo”, se vale a pena, vale a pena por quê?

Sanches: Meu, vale a pena. Pra mim vale a pena porque você consegue ter um controle do resultado final assim, muito maior. Eu já estive dos dois lados, já trabalhei com artistas grandes, já toquei com banda que tinha contrato com multinacional e tal, e eu acho que para mim, no final das contas, que o que mais funciona é você resolver por conta própria, às vezes passa de um ponto que você perde o controle da situação. Mas no meu caso, pelas experiências que eu tive, eu acho muito mais prazeroso você ir lá e construir um negócio e deixar da maneira que você quer, sem restrições, a coisa acontece da maneira que você quer, do jeito que você quer e para quem você quer também, sabe. E eu acho muito mais prazeroso, é muito mais legal você chegar num lugar, tocar e a coisa deu certo, você foi lá e construiu tudo aquilo para dar certo, e você vê o resultado, é muito legal. Se pelo menos metade das pessoas que eu conheço envolvidas com shows tivessem uma mentalidade dessas a coisa ia funcionar muito  mais, porque acaba que uma banda ajuda a outra, sabe.

Foto por Breno Carollo.

Certo,neste do it yourself mais ainda, o pessoal das bandas, todo mundo se ajuda, é uma coisa meio que em coletivo.

Sanches: É realmente,acaba havendo uma coisa legal, há um intercâmbio de informação e de trabalho: um empresta equipamento para o outro, um vai no show do outro,que é algo que eu acho muito importante… eu sou uma pessoa muito ruim de horário, tenho compromisso com a minha família, meu trabalho, mas toda vez, quando possível, estou indo a algum show. Tem muita gente que cai neste erro: reclama que o show da banda dele está vazia mas não vai no show da outra banda.

Também percebo isso acontecer muito…

Eu vi o Rodrigo (do Dead Fish) e o Nenê Altro (do Dance of Days) no show de vocês, neste único show que vi em SP. Achei massa ver eles lá, apoiando.

Sanches: É sim, porque acaba que são pessoas que vêm dessa escola que a gente viveu nos anos 90, era assim que funcionava, não adianta, o público era o pessoal que tocava, a coisa era pequena, eram shows para cem pessoas… agora que houve um boom, teve gente que acabou montando banda para virar emprego, para ganhar dinheiro, agora eu acho que a gente acabou voltando de novo ao pé no chão, acho que quem gosta mesmo acabou ficando e quem não gosta foi fazer outra coisa e tudo bem, também. Está tendo de novo este espírito de comunidade, para mim, foi o jeito que eu fui criado: as bandas se ajudam, os amigos emprestam equipamento, vão aos shows e acaba criando um mercado, por mais pequeno, mas é um mercado verdadeiro, são pessoas que consomem aquele material e que estão interessadas, também produzem. Eu acho isso a coisa mais válida que tem.

Tanto que os fanzines,eu peguei a época de trocas, lá por  2003, 2004, eles estavam quase parando de serem produzidos, deu uma decaída e agora parece que estão voltando…

Sanches: Acho que com a coisa da internet, muita gente ficou preguiçosa com esta coisa de ter que fazer o material impresso. Eu vejo isso até pela divulgação de show. Tem gente que acha que só fazer um cartaz do show, criar um evento no facebook é o suficiente para você ter uma divulgação. Eu acho que é meio besteira,é confiar demais na internet, talvez ela não exista de uma maneira que as pessoas pensam assim.

Tanto que flyer é um material tão bacana, tátil, tu pega na mão, dá um apreço maior talvez, do que um mero evento no facebook.

Sanches: É muito mais legal, é muito mais real. É que nem disco. Na minha cabeça né, porque sou velho. Pra mim não é uma atitude certa você gravar um disco e jogar ele na internet e pronto, acabou. Eu acho que você tem que ir lá e prensar mesmo, pra coisa existir no mundo real. Eu acho que o pessoal leva às vezes muito a sério o mundo virtual. Tu é uma geração mais nova que a minha, talvez isso faça sentido para vocês, mas para mim, ainda não. Eu gosto de ter discos das bandas que eu realmente gosto,eu gosto de poder ver a arte, o material gráfico, é todo um pacote que você compra quando compra um disco, não é só a música. Lógico que a música é o que mais importa, você não vai comprar um disco porque a música é ruim, você pode comprar um disco mesmo tendo a capa feia. Os discos que eu gosto,que eu escuto religiosamente, eu gosto de tudo: da arte, da capa, da ficha técnica,que para mim que sou da área é muito importante. Esse mundo virtual em que as músicas são apenas jogadas na internet, acaba perdendo um pouco disso tudo. Por mais que a informação seja de um acesso mais fácil hoje em dia , parece que as pessoas não param para ver quem gravou,quem mixou. Na nossa época não,a gente lia a ficha técnica dos discos que nem uns malucos, sabia tudo!

Em uma entrevista, você disse que todo mundo da O Inimigo vem do mesmo buraco. Eu fiquei pensando se seriam as mesmas influências do Revolution Summer (com a leva de bandas que vocês todos gostam do Fugazi, do Rites of Spring…) ou se tu estava se referindo a esta cena que tu citou anteriormente, ou um pouco de tudo?

Sanches: O que eu me referia mesmo era disso, a gente veio mesmo desta mesma escola, de shows, do mesmo role assim, todo mundo se conhece de shows dos anos 90, anos80 e 90 que era aquele espírito de uma banda ir lá assistir a outra e conferir o material do cara, a gente vem da mesma comunidade, todo mundo. Por mais que por um bom tempo cada um tomou um caminho, o que é ótimo, acho que ninguém precisa ficar preso a mesma coisa sempre, sabe. Mas a gente é amigo há muito tempo, porque para muitas pessoas pode soar um pouco estranho assim, um pouco inesperado, quem conheceu as histórias todas que aconteceram nos anos 90, mas na verdade você cresce e acaba vendo que quem ficou na batalha ainda são as pessoas verdadeiras. Aquelas histórias de adolescentes que se envolvem em brigas, depois de velho, não faz mais sentido. Aí é isso,a gente vem do mesmo role, todo mundo passou por um monte de coisa mas tá todo mundo aí, novamente.

O Inimigo

A afinidade musical então, é um dos fatores decisivos para o O Inimigo ter o som que tem?

Sanches: Ah,certeza. Eu acho que afinidade musical ajuda muito, por mais que cada um tenha outros lados que um escuta que o outro não escuta. Todo mundo é muito ligado à musica e pesquisa sobre música, corre atrás. Tem muito do hardcore/punk dos anos 80, do começo dos anos 90, dessa coisa do Revolution Summer, as bandas da Califórnia, o skate que acaba sendo um elo que liga todo mundo. Ia ser muito mais difícil, por exemplo,se entrasse um menino que foi criado da era pós-blink, assim, não sei explicar, talvez alguém que venha desta escola não veja muito sentido. Lembra muita coisa gente legal pra gente, afetivamente falando, certas músicas.

Talvez por isso o pessoal diga: O Inimigo é trilha para andar de skate, ou tem guitarras tipo o Fugazi (como o pessoal da resenha da Altnewspaper falou). Talvez seja por isso, vocês vêm desta mesma escola.

Sanches: Por ter influências destas bandas, acaba que a gente teve influência das bandas que influenciaram as novas influências (risos): é um ciclo. O Fugazi tem muita influência do Bad Brains, aí através do Minor Threat se descobriu o Bad Brains e você acaba escutando e vendo como é bom aquilo, etc, etc…

(algumas partes da entrevista não consegui transcrever por causa da ligação ruim, mas tá valendo.)

De onde vocês tiraram os instrumentos de sopro do som AÇO do novo álbum Imaginário Absoluto da O Inimigo?

Sanches: Foi uma ideia que a gente teve no ensaio meio de brincadeira e acabamos levando meio a sério depois. Encontramos um amigo trombonista amigo nosso, o Edy, ele é muito foda, toca com artistas grandes, Seu Jorge….então, ele é um cara muito legal, ele topou então vir aqui, fazer o negócio e curtiu. A gente fazia de brincadeira no ensaio “porororororpôpóóó” e a gente acabou levando a sério e foi para o disco. Foi uma ideia meio inusitada. Principalmente o Juninho que fez o contato com o Edy…eu achava que o Edy não ia topar, ele topou, a gente pensou então, “vamos fazer”!

E aqueles shapes da O Inimigo, de onde surgiu a parceria?

Sanches: Quem tá fazendo os shapes é o Celão, um amigo nosso que inclusive é quem vende os nossos merchandising em show,ele viaja com a gente… ele lançou também do Ratos,acho que do Garage Fuzz. Há uma procura, é um material bacana da gente carregar, vende mais até fora de São Paulo, a gente tocou em Blumenau, o pessoal de lá curtiu um monte.

Vocês estão super convidados a tocar no sul.

Sanches: Tomara que role ainda este ano. A gente tem muita vontade de fazer. Os custos mesmo são bem altos.Tem este lado que a gente é um pouco chato com o som, pra gente não chegar fazendo qualquer coisa,se a gente tiver a oportunidade queremos fazer da maneira correta,né. Acaba sendo até certa forma injusto, ir a algum lugar e fazer um show de qualquer maneira, mas a gente quer fazer um show de qualidade. Conseguimos tocar em Blumenau,Curitiba e Florianópolis ano passado. O objetivo para este ano é fazer Rio Grande do Sul, nordeste, centro-oeste e talvez Estados Unidos,se tudo der certo.

Deixa um recado aí para o pessoal do sul!

Sanches: Pô e aí pessoal do sul, legal estar falando para esse pessoal que a gente sabe que existe muita coisa acontecendo, a gente acaba ficando afastado mas sabe existe um cenário, uma comunidade aí de bandas e a gente espera estar tocando com   O Inimigo ainda em 2012, vamos tentar de tudo para viabilizar isso aí, para a coisa acontecer. Espero receber muito material aí do sul,de bandas que me surpreendam,aí sempre foi um reduto de bandas fortes, muito legais, bandas originais, interessantes! Eu tô meio por fora do que está acontecendo, mas a gente espera tá tocando por aí, conhecendo um monte de banda, gente legal e as coisas que estão acontecendo por aí. Espero que até breve!

O Inimigo é:

Kalota Fanucchi (Vocal) Juninho Sangiorgio (Guitarra) Fernando Sanches (Guitarra) Alexandre Cacciatore (Baixo) Gian Coppola (Bateria)

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Era sexta-feira, 30 de março de 2012. Rumo ao Chicken’s Call!

[Um breve comentário sobre os últimos acontecimentos em termos de rock na região.]

Era sexta-feira, 30 de março de 2012.

Saímos às 19 horas da catedral, paradão de Santa Maria rumo a Santa Cruz do Sul, ponto de chegada: trevo do Quartel, mais precisamente na Avenida Euclides Kliemann. Na nossa van, rodava no dvd alguns clipes antigos da MTV, nostálgicos para o pessoal mais velho, desconhecidos para a galera mais nova, eu mesma nem conhecia muitos clipes. Alice in Chains, L7, Green Day…uns separando shows do Agnostic Front, do Black Flag, outros brigando querendo ouvir Discharge. Alguns cantando Ratos de Porão, Replicantes. O pessoal não queria nem saber do meu dvd do Fugazi , outros queriam mesmo era ouvir Fullheart. Assim eu me sentia em casa e assim chegamos em Santa Cruz do Sul.

Os shows da noite seriam: Porunspilla, Diatribe, No Rest (Porto Alegre), TSF (Santa Maria/RS) e Chicken’s Call (França), todas basicamente da vertente do punk/hardcore,se você quiser não conhece ou quiser saber mais sobre estas bandas, saiba mais AQUI.

Já sabia que a banquinha da No Gods No Masters estaria presente, então já estava preparada para me deparar com um apanhado CDs, livros, patches, bottons, zines e vinis e outras publicações que me aguardariam. Confesso que não pensei que teria tanta coisa! Tinha para todos os gostos: zines feministas, sobre vegetarianismo, música, anarquismo, em inglês, livros em espanhol, sobre o punk, o hardcore, sobre gênero, lp’s de bandas gringas, brasileiras, cds, olha aí:

Para quem tem curiosidade de ver o catálogo deles e encomendar algo, segue o link: nogods-nomasters.com

Foto abaixo do público no show da No Rest e da Chicken’s Call:

No Rest, de Porto Alegre. Pela foto vocês podem ter uma noção de como foi o show.

O show da TSF (Tijolo Seis Furos) foi aquela energia de sempre: para os que conhecem o lado hardcore que Santa Maria tem, sabe do que estou falando. Pessoal cantando as letras em peso, ninguém cansa de repetir o “casa,comida e roupa lavada”, sem mais. A Porunspilla eu não conhecia direito, achei legal o som dos caras, eles que abriram os shows nesta noite e tocaram hoje em Porto Alegre com a TEST e a TSF também, é uma banda relativamente nova, está até resenhada no zine que vou citar abaixo. O show da No Rest vocês percebem pela foto, me arrepiei completamente com a fúria do vocal da Aline, não é a toa que muitos falam que é uma das bandas mais reconhecidas com vocal feminino em termos de punk do Brasil, além das letras e tudo mais. A Diatribe, depois de alguns shows, cheguei a uma conclusão,como alguém me falou ontem: “é um barulho super bem trabalhado, os caras manda muito bem!”. Cara, olha a rapidez daquela bateria! É demais. Sem contar que os caras marcam presença e sempre vem para Santa Maria, voltem sempre!

Chicken’s Call, banda de Grenoble ( França ) em sua turnê latinoamericana, desta vez passando por Santa Cruz do Sul/RS.

Consegui falar com o vocalista da Chicken’s call e aprendi a falar La Cour de Miracles, um dos sons que a gente tocou na semana passada no programa de estreia do Santa Demo, haha. E obviamente eu havia pronunciado errado. Eu estava aguardando este som já no início do show mas eles acabaram tocando quase no final… ótimo show!

Um dos zines que destaco que consegui na banquinha do show da Chicken’s Call em Santa Cruz do Sul foi o do Guilherme Gonçalves, que também já editava outros zines e realiza o evento [A]mostra dos Independentes de Porto Alegre. O nome do zine é OUTONO OU NADA Funzine #1 – outono 2012, achei um dos zines mais informativos em termos de hardcore local, como ele mesmo cita no editorial: “falando sobre coisas que estão ao meu alcance”.

O zine traz colunas, resenhas de outros zines/tapes/CDs/livros, entrevista com a BB Estás Muerto, resenhas de bandas novas (achei muito legal este espaço, para o pessoal conhecer outros sons), capa por Carlos Dias, entrevista com a Campbell Trio e muito skate. O preço é R$ 2, peça o seu e não se arrependa de maneira alguma: xmelhoramentosx@gmail.com Tá demais,viu.

Resumindo, este final de semana foi de muito rock em termos de bandas locais/regionais, em Santa Cruz do Sul, em Santa Maria e em Porto Alegre também, pena que fica um pouco distante para o pessoal do coração do Rio Grande ir toda hora. Lamentável é perceber um público minúsculo em um show de rock com bandas locais em sua própria cidade, como aconteceu ontem em Santa Maria. Como diz a Luciana Minuzzi minha amiga e colega de trabalho aqui, depois reclamam que quem gosta de rock não tem onde ir, que não tem bons shows, que não tem nada em Santa Maria. Será? Ontem aconteceu a Beco’s Party de Páscoa, citado em nosso post anterior, com bandas legais da região por um preço acessível em um lugar bem bacana. Faltou divulgação? Acho que não, hein. Mesmo assim o rock sincero sempre vai acontecer, o faça-você-mesmo nunca vai acabar enquanto houverem pessoas acreditando e fazendo algo por um mesmo sentimento. Sem mais.

… olha o saldo do show de sexta, me saí bem com as trocas e pequenas compras, metade dos zines aí eram gratuitos ou contribuição espontânea. Gimme gimme gimme, I need some more! (:

por Gabriela Cleveston Gelain.

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Dicas de bandas por Fernando Sanches

Post feito por mim para o @stademo (programa de rádio que participo).

Hoje no Santa Demo vocês curtiram no “Pacto da Semana” uma conversa com Fernando Sanches Takara (músico e produtor musical), responsável por uma das guitarras na banda O Inimigo (hardcore/São Paulo). O cara já tocou no CPM 22, Againe, Hateen, Dance of Days, Small Talk… ele também cuida do estúdio El Rocha em São Paulo com sua família. Nesta quase uma hora de converse me contou que está sempre indo a shows quando possível, além de mixar/gravar outras bandas. Segue então, algumas indicações do Sanches!

vídeo do making of da banda Iodo gravado no El Rocha

Iodo “No meio do hardcore melódico tem a banda Iodo, um disco que eu gravei deles também que são pessoas que já tocam há um tempo na cena de São Paulo e montaram uma banda nova, os caras realmente acreditam naquilo que eles estão fazendo , foi muito legal fazer o disco dos caras,os caras são muito legais.”

www.facebook.com/iodohc

www.iodohc.com

Chuva Negra “O Chuva Negra eu acho uma banda super legal, eles e o Iodo são as bandas que estão conseguindo levar essa coisa do hardcore mais melódico da coisa mais legal, sem envolvimento nenhum com coisa mais pop.”

Ordinária Hit “Gravei esses tempos um cd do Ordinária Hit, que é fantástico, é muito legal. O disco novo deles se chama Funcionário e saiu há pouco tempo. Indico muito!”

Minutos menores

Eu vi uma banda do interior de são Paulo que se chama Minutos Menores, eles fazem um som bem legal e bem diferente do que está rolando.”

Stereomotive

“Estou trabalhando com uma banda chamada Stereomotive que é uma banda de Suzano do interior de são Paulo, me lembra um pouco Cap’n Jazz assim…” (na hora pensei: meu deus,isso deve ser muuuuito bom!)

Bodes e elefantes,
ele recomendou o trampo dos caras,acha muito bom!

Hurtmold ” É uma das minhas bandas favoritas, acho a banda incrível. Acompanho bastante o trabalho do meu irmão (Maurício Takara),ele sempre consegue me surpreender…”

Metade Melhor “Tem a banda do nosso roadie, chamada Metade Menor…eles até tocaram Againe no último show, tocaram a One and a Half,ele até me mandou o vídeo. Eles mandam bem!”

Leptospirose “O Leptospirose é uma banda que eu adoro, a gente tenta tocar o máximo possível com estes caras,a gente acha a banda deles fantástica.”

Futuro “O Futuro que é a ex banda do Calota (vocal da O INIMIGO) fez um compacto novo,agora eles tem no vocal uma menina,a Mila.”

Espero que tenham curtido o post com as dicas de bandas dele. Tem muita coisa boa aí!

Por Gabriela Cleveston Gelain.

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Dicas de banda: Fausto Oi

 

foto por xwanderwillianx

Hoje no Santa Demo 800 AM rolou um bate-papo com Fausto Oi (ele toca no Dance of Days, Eu Serei a Hiena e Good Intentions). Pedi para ele deixar para os ouvintes do programa Santa Demo algumas dicas de sons que tem ouvido. “Continuo ouvindo várias bandas mas sou cabeça aberta,não só de punk/hardcore eu ouço, ouço desde pop rock, folk,metal , não importa… se me agrada eu escuto, procuro não me limitar”, afirmou o guitarrista do Eu Serei a Hiena. Curtam aí, as bandas que ele indicou!

Zander e o álbum da banda, Brasa – “Gosto muito das coisas que o Bill faz desde o Manifestos Líricos do Noção de Nada,foi um dos primeiros discos que eu comprei, junto com o Sirva-se do Dead Fish e o primeiro do Street Bulldogs. Acho ele um cara muito talentoso, gosto das bandas dele e achei a gravação muito boa, mesmo.”

Jack’s Revenge “Uma outra banda que eu gosto bastante aqui de perto,de Diadema,é o Jack’s Revenge. Já é uma linha mais garagem 90’s, meio Pixies. Também tive a oportunidade de ver alguns shows e gostei bastante!”

Horace Green “Uma banda que eu gostei bastante e tive oportunidade de ver e que não tem nada gravado e breve deve gravar. É dos meus amigos e não é por que é dos meus amigos que eu gosto! Eu vi o show e gostei bastante, eu tive a oportunidade de ver dois shows. É meio Hot Water Music…”

Chuva negra

“Uma banda que eu gosto muito e não é tão nova assim é o Chuva Negra, gostei bastante do trabalho deles e é uma banda que eu escuto desde quando saiu…”

Plastic fire “É de um pessoal do Rio de Janeiro bastante batalhador. Agora está saindo um split deles com o Zander.”

E aí, curtiram?

Por Gabriela Gelain.

twitter.com/stademo

www.facebook.com/santademo

 

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Novidades sobre o Eu Serei a Hiena

(via http://ufsm.br/santademo, programa de rádio da qual participo.)

No dia 1º de fevereiro deste ano, o Eu Serei a Hiena postou no facebook da banda um comentário: “de volta à ativa”. E foi o que perguntei para o Fausto Oi, quando liguei para o guitarrista da banda na cara dura pedindo para gravar uma breve entrevista com ele para a estreia do Santa Demo (programa de rádio aqui de Santa Maria/RS na rádio universidade,tentando resgatar um pouco o underground local, punk, metal e etc).

Respondendo a pergunta, ele afirmou então que sim, o Eu Serei a Hiena anda retomando suas atividades!

“Então…a gente voltou a ensaiar  e a compor, ficamos praticamente 8 meses sem falar sobre nada relacionado à banda, agora voltamos a ensaiar e estamos com 3 músicas quase prontas.

foto por Renato Lorenaetto

Para 2012, Fausto afirma que há planos de tocar sim, gravar um EP possivelmente e mais tarde um disco novo. “A gente ficou muito tempo parado, o Juninho se dedicou bastante à sua outra banda, O Inimigo, eles lançaram um CD muito legal, estão tocando bastante. Eu também tenho outras duas bandas, que é o Good Intentions e o Dance of Days que  sempre estão na atividade, então o Eu Serei a Hiena ficou um pouco para trás mas voltamos já a ensaiar. Tá rolando legal. Às vezes é bom dar uma parada e voltar com ares novos e novas ideias.”

Segundo ele, o Eu Serei a Hiena não é uma banda para ter muitos compromissos por causa do compromisso com outras bandas, mas uma coisa mais para os caras tocarem realmente o que gostam,sem muita pressa e por diversão e fazer um som diferente dos seus outros projetos.

Quando perguntei como foi a receptividade do público quando surgiu a banda instrumental vinda de vários caras do hardcore, ele respondeu: “Eu não sei se o pessoal esperava que a gente fizesse esse tipo de som já que…o Juninho,quando a gente montou o A Hiena ele ainda devia estar no Point of No Return, o Rethink tinha acabado, estávamos todos bem enraizados no hardcore, a gente tentou fazer um som que a gente queria e não tinha espaço nas nossas outras bandas também, lógico que acaba tendo um pouco de influência das nossas outras bandas no ESAH e vice-versa. Tem música do ESAH que é mais rápida, a gente não se limita, a gente tem esta liberdade.”

Ainda sobre a visão do público quando surgiu o som não-linear do ESAH: “Foi legal que o pessoal aceitou bem, muitos ficaram curiosos para ver a banda nova do cara do Dance of Days, do Discarga , “que raios é isso aí?”. Algumas pessoas estranharam, por não estarem acostumadas a ouvir instrumental…. mas a gente gosta muito de fazer e seilá, mesmo  sem ter voz, a gente consegue passar o nosso recado e  energia no palco, nos dois discos que gravamos a gente se dedicou bem, a gente fez aquilo com muita vontade. Acho que o pessoal percebeu essa sinceridade da banda, a gente não fez a banda com nenhuma pretensão de nenhum dos nomes das nossas outras bandas para crescer e vender um monte de discos, não, não é nada disso.”

A gente já tocou para quinze pessoas, e foi legal pra caramba, assim como já tocamos em festivais que foram bem legais… a gente já tocou em um quintal, foi muito engraçado, e em teatro no Rio de Janeiro, e com o mesmo espírito. No final das contas, é uma música mais calma mas feita por quatro caras que vem do punk e do hardcore  e quer passar sua mensagem e tocar sua música sem pretensão nenhuma, é mais para mostrar o que a gente quer fazer. Cada um pode montar sua banda e mostrar seu recado, sua música, eu acho que é esta a liberdade que o punk, o hardcore e o underground proporciona para as pessoas. Fausto Oi

Se você não conhece o Eu Serei a Hiena…

Eu Serei a Hiena é:
Paulo Sangiorgio – Guitarra
Fausto Oi – Guitarra
Wash de Souza – Baixo
Nino Tenório – Bateria

Discografia:
2005 – Eu Serei a Hiena (Travolta Discos)
2009 – Hominis Canidae (Travolta Discos)

http://www.myspace.com/ahiena

http://www.travoltadiscos.com.br

http://www.tramavirtual.com.br/eu_serei_a_hiena

Por Gabriela Cleveston Gelain.

twitter @stademo

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Entrevista: Inseto Social

Segue neste post a entrevista breve que fiz com Flamarion Rocha (voz e guitarra) e saiu no fanzine No Make Up Tips número #3.

”Quem nunca ouviu falar de Inseto Social? Se não ouviu, de Santa Maria que não é. Impossível morar na Boca do Monte e não conhecer algum som da banda que ficou famosa por ter ido a pé até Porto Alegre para tocar no Planeta Atlântida (e conseguiram!) e  que faz o pessoal pogar muito até nos dias de hoje na catacumba do DCE ao som do Hardcore Tio Bilia. Até eu que morava em Santa Rosa lá por 2004 recebi uma fitinha cassete com sons dos caras, adorava “5 pila” e “Flores para os mortos”.Gabriela Cleveston Gelain”

Entrevista: Inseto Social

1)      Que história é essa de que a Inseto Social teria feito seu primeiro show no lançamento de um fanzine? Que fanzine era este?

Flamarion: Era “Dalí fanzine”, o nome do zine. Dalí de Salvador Dalí, né.  Era um zine que devia estar no terceiro número e era feito por um colega meu, o Mateus, do tempo de escola do segundo grau. Eles iam fazer uma festa de lançamento do fanzine com duas ou três bandas: a TSF (Tijolo Seis Furos) e a Floricultura (era uma banda meio experimental,de Santa Maria). Na época, eram bandas que estavam tocando na cidade há mais tempo. A gente nunca tinha tocado e os caras já tinham uma estrada, então pensei em intimar o cara dono da festa para a gente tocar. Ele aceitou, a gente tocou, então foi o nosso primeiro show: no lançamento do fanzine dele, isso em 1998. O local era ali perto do lugar onde hoje é a Ballare.

2)      De onde surgiu o nome Inseto Social?

Flamarion: Na verdade tem sim um motivo. O nome da banda é o seguinte, foi de uma aula de biologia. Insetos sociais são os insetos que vivem em sociedade, tipo formiga, abelha e tal. Então, a idéia veio da música Inseto Social que eu escrevi basicamente sobre solidão, pensando na questão do inseto social como um inseto em sociedade, mas pensando ao mesmo tempo na biologia, os insetos que formam uma comunidade. Pra mim,o nome dava duas idéias: ao mesmo tempo que dava uma idéia de união, de comunidade mesmo, o inseto social pode ser alguém excluído da sociedade. Pensei que esse nome era legal para fazer uma música e depois veio a idéia de ser o nome da banda.

3)      Quais as influências de vocês? Qual a influência do punk no som de vocês?

Flamarion: O que a gente mais ouvia mesmo eram as bandas dos anos 90, do grunge, Alice in Chains, Soundgarden, Pearl Jam, Nirvana. Não sei se é por causa do punk rock, independente de qualquer coisa, as nossas letras vêm de uma vontade nossa mesmo de expressar isso. A gente ouve de tudo um pouco-“punkrock psicodelia hardcore e tio bilia”. Na verdade quem escutava mais punk rock era eu e o Alemão, as bandas de 77.

4)      Qual a diferença que tu percebe em nossa cidade, em termos de shows e punk/hardcore, de 1998 para 2011?

Flamarion: A diferença? São duas diferenças básicas: como tu falou, antigamente tinha mais bandas de punk/hardcore em nossa cidade. A gente, a TSF, a Stress, a Tarja Preta, The Krusts…uma infinidade de bandas,se for comparar com hoje,nos últimos 5 ou 4 anos pra cá destas bandas HC/punkrock que surgiram em Santa Maria não sei se chega a 6 contando nos dedos. Isso é uma diferença, o número realmente diminui. O porquê, eu não sei.  A questão da galera ir em show, uma coisa que diferenciou bastante e mudou é essa questão da internet, tem tudo a ver, de alguma maneira.

5)      Então, o que tu acha dos tempos de internet em relação aos shows, bandas e afins (a influência dela)?

Flamarion: Eu acho que essa questão é bem contraditória, tem um lado bom e um lado muito ruim ao mesmo tempo, mas na questão de Santa Maria, como não tinha nada, internet nem nada,parece que quando tinha um show a galera tinha mais vontade, mais sangue para ir aos shows, porque era ao vivo ou não era. Ou tu via as bandas ou tu não via. Hoje com a questão do youtube, o cara tá sempre vendo milhões de bandas e sendo bombardeado por um monte de coisas. Talvez a galera não se motive agora tanto a ver, porque eu peguei esse lance (como também sou parte do público) de se deslocar para ver um show, tu tinha a fitinha cassete e ouvia a banda. Hoje em dia, com tanta informação parece que a galera fica mais vidrada ali, olha ali mesmo, no youtube, na verdade teria que perguntar para essa gurizada. Eu acho que influencia no sentido de tornar a galera mais comodista, é isso. Mas para divulgar a banda, eu vejo como um lado positivo, é o fato de poder chegar a várias pessoas rapidamente, em longas distâncias.

6)      Sobre as letras: Por que “Peixes voando em direção ao aquário”?

Flamarion: É pra dar uma letra meio melancólica, fui que escrevi, não estava em uma situação muito boa, é meio desesperançosa, escrevi por algo pessoal. As letras mais irreverentes é piada, as políticas é uma coisa mais ampla, e aí tem a questão das músicas mais introspectivas que é quando a gente fala sobre algo que viveu. Acho que é por isso que o pessoal curte, não é só de protesto, ou só engraçada, tem de tudo. A gente é assim, ninguém é o tempo inteiro preocupado ou sempre dando risada de tudo, tem dias e dias. Não nos consideramos uma banda radical.

7)      Por que a inseto parou em 2005?

Flamarion: É a mesma coisa que tu me falou basicamente antes sobre os fanzines, que tu entrou na faculdade tarde, ficava escrevendo carta, lendo zine… é isso. Mesma coisa a gente que tinha a banda. Na verdade a gente queria viver da música, fazer disco e viver disso. A gente estava naquela luta, fazia uns sete anos de banda já, quem tem banda sabe como é, a gente gasta um monte, viaja, banca uma gasolina, lucro quase nenhum,a gente faz porque gosta. Estávamos com vintee  tantos anos de idade,a gente não conseguia viver da banda nem nada, então precisávamos sobreviver. Precisávamos nos virar, fomos fazer outras coisas e não conseguimos naquele momento conciliar a banda com outras atividades.

8)      Vocês já tocaram para dez mil pessoas. Conte sobre essa experiência de tocar no mesmo palco do Charlie Brown e Barão Vermelho já no terceiro show da Inseto Social!

Bei, a gente achou que era os caras,né. (risos). A gente achou que seilá,era um filme. Tudo bem que a gente começou,em termos de banda,até meio tarde, já tínhamos uns vinte anos de idade na cara, mas na nossa primeira demo que tinha 3 sons (entre eles, Hardcore Tio Bilia), a gente enviou para este festival ( Skol Rock) e já foi chamado. O festival pedia release histórico da banda, pedia foto, o cd/a fita e tal, tudo certinho. A gente pegou aquela fita cassete e eu só escrevi à caneta assim “Inseto Social”, nem tinha capa, não mandei foto, histórico, nada. Só coloquei meu nome e telefone. Os caras ligaram e era um festival que selecionava só oito bandas de quatrocentas e tantas, e escolheram a gente na primeira gravação,foi algo inesperado. Então,a gente fez primeiro show do fanzine, o segundo de uma festa da Biologia da UFSM na boate do DCE e o terceiro foi esse show, para 10 mil pessoas, com cobertura da MTV. Tudo muito rápido,a gente ficou deslumbrado. Sem experiência nenhuma. A gente ficou tão nervoso que ficamos tomando ceva do frizzer lá no festival e a nossa apresentação não foi muito boa. Quem ganhava esse festival abria para o Iron Maiden. A gente ficou com nota 10 em quesito de música e letra mas a apresentação ganhou uma nota 4, 5,  a nota foi muito ruim, a gente tava duro de trago.

9)      Eu quero saber uma coisa: aquela música Jenny dorme suja, é verdade que era uma banda punk feminina de Santa Maria? “Jenny dorme suja,eu sei! E ela nunca vai desistir… / Jenny revolucionária, incendiária.”

Flamarion: Existia uma banda sim, é verdade. Não fui eu que criei esse nome da música, não fui eu quem criou esse título,eu tirei do nome delas. Eu participava dos shows, quando ainda tinha, oito, sete bandas nos festivais, elas tocavam. Na realidade, a banda eram duas meninas e um cara na guitarra. Era uma guria na batera, a Cláudia. A Letícia era baixista e cantava. Tinha uma menina na guitarra,mas aí ela não durou muito tempo na banda e entrou o irmão da Letícia. Era legal a banda, era punk umdoistrêsquatro. Haha. Tocavam também cover do Pixies, achava massa. A gente acabou fazendo amizade, elas moravam aqui fora na UFSM, eram metidas no movimento estudantil, no DCE, sempre estavam no meio. Conversando um dia com elas, pensei “BA, vou fazer um fazer um som pras gurias”. Eu tava massa o nome,achava que soava bem para uma música. Pensei em inventar uma personagem chamada Jenny, pensei nelas mesmo, não que elas dormissem sujas né! (risos). Mais por elas serem bem politizadas e envolvidas com o movimento estudantil, só que acabei inventando uma personagem na época da ditadura, pra falar um pouco disso que eu nunca tinha falado em um som. Eu fiz a letra e dei pra elas, elas que tocavam, a gente não tocava esse som na época. Elas ganharam o primeiro Universo Pop com essa música. Elas pararam de tocar, a banda terminou, aí como a gente gostava da música a gente começou a tocar e gravamos.

10)  E o documentário da Inseto Social, quando sai?

Flamarion: Depende do Rafael Miranda, da Aspartame Salgadinho (produtora). Vai ser toda a história da banda. O pessoal da Aspartame estão iniciando os trabalhos, ele toca no Sangue da Pedra. Ele que puxou a idéia mas eu ajudo bastante,é claro,mas ele que tá fazendo. A idéia é para 2012,só não sei se vai ser no primeiro ou no segundo semestre ainda.

11)  Quem faz as artes dos álbuns de vocês?

O Cássio Pires, um amigo meu, fez uma das capas. Ele estudou artes na UFSM. A gente tocou um tempo juntos em outra banda, Umagruma. Fizemos alguns shows ano passado e retrasado,mas acabou já. A gente se conhece há muito tempo, ele tinha vários quadros na casa dele e pedi pra ele se dava para usar no cd,ele permitiu.

12)  O espaço é teu,fala o que quiser aí.

Eu acho que o negócio é a gente continuar firme no que a gente acredita, independente dos revezes que a gente tem. No meu caso com a banda e o teu com o fanzine,a gente faz realmente porque gosta, ama o que faz, a maior motivação é isso, fazer por amor e fazer bem feito. O resto não importa muito. O importante é fazer bem feito e se tu sente que a galera tá curtindo, melhor ainda.

www.myspace.com/inseto_social

”INSETO SOCIAL

Flamarion Rocha (voz e guitarra)
Rogério Fenalti (bateria)
Giovani Kovalczyk (baixo)
Vitor Cezar (guitarra).

”Inseto Social é uma banda de rock alternativo formada em jan de 98 na cidade de Santa Maria/RS . Lançou um cd homônimo independente em 2000 e um EP em 2002 chamado “Ed Wood nunca ganhou um Oscar”. Em jan de 2000 ficou conhecida em todo o estado como a banda que foi a pé de Santa Maria a Porto Alegre (270 km) em 11 dias e tocou num dos palcos alternativos do Planeta Atlântida. Depois de tocar em vários festivais pelo RS, em 2005 a banda deu uma parada, tocando eventualmente, destaque para uma excursão até a Argentina em 2007 para tocar no Poçadas Rock, na cidade de Poçadas.
Em 2010 retornou a ativa, com a mesma energia e com o mesmo amor pela música. músicas novas em breve estarão rolando pela web.
PAZ, HONESTIDADE E DIVERSÃO”

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split 7″ : Arma Laranja & Besta-Fera

split Besta-Fera & Arma Laranja

Eis a seguinte situação: você baixa um álbum sem conhecer as bandas. Não sabe o que esperar e se surpreende. Tá certo que nos tempos de catálogo e fitinhas todo mundo fazia dessas e (quase) sempre encontrava coisas bonitas. Hoje nem sempre é assim. Mas é mais ou menos isso que você vai encontrar ao baixar essa split, se você aprecia o hardcore brasileiro. Sem contar que o legal de um split é poder conhecer mais de uma banda e mesclar estilos diferentes/parecidos em um só disco . Gosta de bandas de punk rock/hc oitententista? Vai curtir o split em 7’’ lançado pelas gravadoras Faca Cega e pela Café & Raiva em 2007.

Vinil laranja, arte de capa bonitaça e três músicas pra cada banda. Besta-Fera & Arma Laranja. O que têm em comum? São dois trios, formados por dois homens e uma garota, com duetos de vocais energéticos femino/masculino. Arma Laranja é uma banda da cidade de Curitiba, Besta-Festa é de São Paulo. Juntas, têm influências do cenário hardcore dos anos 2000 e são ligadas à sonoridade do 80’s hardcore e representam hoje uma nova onde do HC das regiões Sul e Sudeste. Coisa fina para se conferir.

A paulista Besta Fera tem esse nome inspirado na versão brasileira do centauro. “O som de seu casco é suficiente para aterrorizar os humanos…”. A banda possui na voz e na guitarra a Tatiana, ex integrante do Infect, No Violence, I Shot Cyrus, bandas que admiro bastante. Na bateria e baixo, respectivamente, ficam encarregados o Ruivo (ex-BMX, ex-Ofensa e banda Naifa) e Renatha. Os vocais são revezados e contém uma mescla de contry com o punk, sendo influenciado por bandas como o Meat Puppets e o Minutemen. Já a curitibana Arma Laranja possui músicas curtas e com energia, vocal feminino, gritado e por certas vezes melódico. A banda tem influência de bandas punks americanas dos anos 80 e os integrantes citam bandas como o Husker Du, o Sainst, germs, Mercenárias, Wipers em suas inspirações, refletidas em seus sons.

Fiquei doida para comprar esse disco. Tá esperando o quê pra baixar logo?

Download: http://www.mediafire.com/?ch5fyq7f8ogxsmm

Segue aqui entrevista bacana com a Arma Laranja, vale a pena dar uma lida: http://sororhardcore.blogspot.com/2007/12/conexo-true-lies-entrevista-arma.html

Split 7”: Arma Laranja & Besta-Fera

Gravadora: Café e Raiva/Faca Cega

Ano: 2007
http://www.myspace.com/armalaranja

http://www.myspace.com/bestafera

resenharrrápida por Gabriela Cleveston Gelain.

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