Entrevista TSF (Tijolo Seis Furos – Santa Maria/RS) – 2009

Entrevista feita com o Alexandro (DJ Phantasma), guitarrista da banda TSF (Tijolo Seis Furos, uma banda de hardcore de Santa Maria que está na ativa há mais de quinze anos). Conversamos em 2009 no Bunker (ah,que saudades do Bunker…!) e a entrevista saiu no zine No Make Up Tips #1 xerocadão.

Quando surgiu a TSF e qual a primeira formação da banda?
Alexandro: Desde 1994… a primeira formação era eu, o Alf,o Clóvis e o Frank. No início, o vocal era o Clóvis, depois eu e o Alf, depois entrou o Homero e o Lucas na banda.

E o primeiro show de vocês?
Alexandro: Foi na praça da Nonoai, existia um projeto da prefeitura chamado “Nossos talentos”. A gente se inscreveu, na época tinha um monte de punk por aí, foi nosso primeiro show mesmo. Nesse festival tocava de tudo, sertanejo,etc. Outras bandas também participaram, inventaram uns sons na hora, pior que nós. (risos)

Um show que te marcou com a Tijolo Seis Furos?
Alexandro: Um show marcante? Hm… show marcante foi quando a gente tocou pela primeira vez com o Mukeka di Rato, foi do além… tinha muita gente, a maioria do pessoal era do interior. Curti tocar também em São Paulo, ficamos dez dias por lá e fizemos sete shows, fazendo turnê de metrô, ônibus, maior loucuragem!

Que bandas influenciaram a TSF? O que motivou vocês a montarem a TSF?
Alexandro: Para mim, a maior influência foi a G.D.E (grupo de extermínio), uma banda de Santa Maria que oscilava do hardcore ao pós-punk, era a banda do Dj Maxx e tinha uma mina no baixo, a Luci. Também outras bandas, Ratos de Porão, Ramones, claro, mas a GDE foi a que mais nos influenciou, a gente olhava os ensaios, conhecia o pessoal. Pra mim era um troço inovador! Outras bandas que nos influenciaram foram: Extreme Noise Terror, Cólera, Olho Seco, Disrupt.

Que história é essa que o João Gordo falou de vocês em um antigo programa?
Alexandro: Ah, a gente enviou um cd demo “As faces do sistema” (2000) para o programa João a Go-Go, ele tocava uns sons no programa, aí ele comentou “tem uns moleques aí, muito boa a banda, gostei…”

Até hoje, o pessoal fala do Recantu’s (local onde rolava os shows de hardcore matinês em Santa Maria). E as lembranças desse tempo, dá muita saudade de lá?
Alexandro: Lembrança do cheiro do ralo do banheiro! (risos).Aquilo lá era um porão, tu dava a descarga, os canos do esgoto passavam lá por cima, dava para sentir o cheiro de esgoto lá do show. Era tipo um corredor, era surreal aquilo lá. Rolaram matinês aos domingos, por um ano mais ou menos. Trouxemos os caras da Alemanha para tocar aí, o 54 Suicides, e outras bandas. Mas o lugar era podre!

Sobre a “cena” (cena,que cena?) hardcore de Santa Maria, que tu acha que mudou de uns anos pra cá? E as bandas?
Alexandro: Diminuiu, até. Diminuiu a qualidade, o interesse do pessoal organizar as coisas. Eu larguei de mão,eu cansei. O pessoal daqui quase não troca mais ideia, antigamente a gente tocava, falava com as pessoas, era legal. Hoje em dia é todo mundo no show bêbado, não dá nem pra conversar direito… não tenho nada contra quem bebe, até eu mesmo bebo… só que eu não bebo pra ficar louco. É isso.

O que mudou quando o pessoal passou a usar a internet no lugar dos correios para trocar sons, conhecer bandas e manter contatos?
Alexandro: A internet veio para facilitar, mas na minha visão, só estragou. Antigamente, por exemplo, tinha um cara lá na putaquepariu com um disco do Discharge, tu ficava louco para ouvir aí tu pedia pra ele te gravar em uma fitinha e te mandar pelo correio, já trocava o contato, as coisas eram assim. Hoje, tu baixa som sem trocar uma palavra… aquele tempo,tinha dias que eu recebia 10 cartas por dia.

Mas então tu era correspondente ativo?
Alexandro: Muito, bah! Eu tinha um zine chamado Vertente das Idéias.

Sobre fanzineiros de Santa Maria, que lembranças tu tem dos zines daqui?
Alexandro: Eu fiz zine, o Max, o Bob… e uma galera do metal também fazia. Alguns faziam em máquina de escrever, ou então recortavam e colavam mesmo.

Como surgiu a idéia de montar a TSF e de onde vem esse nome?
Alexandro: Ah, na época Santa Maria era uma cidade muito podre assim, tinha muita banda de rock progressivo anos 80, hard rock, etc. No começo foi assim “ah vamos montar uma banda. Ninguém sabe tocar nada, mas vamos montar. Cada um escolheu um instrumento e aprendeu a tocar. Precisava de um nome. Aí a gente se perguntou o que mais tem em Santa Maria? Construção civil.  E qual o material que os operários mais utilizam na construção civil? Tijolo seis furos. Foi tipo, uma homenagem aos o perários. E aquele tempo já existia a GDE, RDP… resolvemos colocar TSF também.

Como vocês conseguiram a grana para gravar o cd “Reciclando o Terror”?
Alexandro: A gente não tinha grana para gravar o cd, aí nos perguntamos “como vamos fazer para juntar a grana?”. Pensamos em juntar material para reciclagem e com isso conseguir parte do dinheiro. Foi durante um ano e meio, mais ou menos. Era pet, papelão, jornal, latinha… e mais uma galera ajudando a gente. E tinha o meu lixo-móvel que usávamos para carregar o lixo para reciclagem (risos). Conseguimos metade da grana para gravar,com isso.

Valeu Alexandro! Espaço livre para falar o que quiser… grita aí!
Alexandro: Ah… queria dizer que já vi muita gente sair do rock, não só do hardcore, mas do rock mesmo. Já vi muita gente ser ultra-radical e hoje em dia são pagodeiros, da Igreja Universal… se tu fica até os 24 anos dentro do rock, não sai mais, hehe. Eu ouço hoje em dia até samba, uns hip hop, mas o rock tá aqui, sempre aqui. Meus cds de hardcore tão sempre lá.

Entrevista por: Gabi

Discurso de um parasita – TSF

Sobre gabicg

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